O detetive sentimwental
Autor: Tabajara Ruas
R$ 15,00
Descrição
TABAJARA RUAS completa trinta anos de literatura em absoluta forma intelectual: retomando as aventuras de Cid Espigão, personagem de sua estreia Região submersa (1978).
Comprova que há dois tipos de autor: o que fica melhor com o tempo e o que torna o tempo melhor.
Ele é o segundo exemplo.
Seu detetive não é nada erudito, do jeito melindroso, que faz hipóteses como um concurso de soletração e tece teorias metafísicas para um copo d'água.
É um agente do desespero, ferrado, que não tem onde cair morto e, por isso, não morrerá tão facilmente.
A pobreza é uma espécie de escudo.
Vendeu sua arma (já que a alma ninguém quer comprar), vive de minuano, e mantém apenas a escrivaninha e as cadeiras dos clientes como o último reduto de sua reputação.
Nesta perspectiva, o escritor adaptou o romance policial para a tônica brasileira: é no desespero que formulamos nossas saídas; é no desespero que somos obrigatoriamente criativos.
O detetive sentimental descende da mesma safra atrapalhada de Ed Mort, investigador cômico de Luis Fernando Verissimo (aliás, Ed nasceu um ano depois de Cid e é uma espécie de irmão caçula).
Um homem de vida dura mais do que durão.
Sentimental, poético, querendo ajudar enquanto muitos só pensam em negociar.
Porto Alegre surge, despida, como cenário e testemunha de crimes e acidentes.
Quem mora por aqui reconhecerá um por um dos cantos, dos restaurantes, das travessias.
O dialeto regionalista (tal o do Tio Chinão) incrementa a trama universal.
Diesel e pólvora de James Ellroy e Elmore Leonard misturado ao mate e maconha gaudéria.
O cheiro levanta folheando as páginas.
Texto de combustão, ação é pouco para ele.
Uma brincadeira inteligente.
É tão bem escrito que parece história em quadrinhos.
A letra voa.
Confesso que me peguei voltando atrás porque achei que tinha visto a sucessão de desenhos das cenas que imaginei.
Imagens desconcertantes, vertiginosas, numa cinematografia da metáfora e da cultura de botequim: podem descer as máscaras de oxigênio do avião.
Adrenalina do início ao fim, o início tem a tensão do fim.
O detetive sentimental é, na verdade, uma coleção de finais sem trégua, sem posto de gasolina, sem paradinha para mijar.
Cid é sequestrado, logo ao conhecer Cisco Maioranos Júnior, um mexicano filho de latifundiário do Mato Grosso.
São levados por uma seita de mulheres carecas e presos nos esgotos do Viaduto da Borges.
Expostos ao sacrifício, escapam de uma ninhada de ratos e da gula de jacarés.
O protagonista termina contratado por Cisco para entender o caso e anular a perseguição.
O emprego tem preferência, não importam os perigos.
O que elas querem?
De onde são?
Vou interromper por aqui para não ser chamado de estraga-prazer.
Comprova que há dois tipos de autor: o que fica melhor com o tempo e o que torna o tempo melhor.
Ele é o segundo exemplo.
Seu detetive não é nada erudito, do jeito melindroso, que faz hipóteses como um concurso de soletração e tece teorias metafísicas para um copo d'água.
É um agente do desespero, ferrado, que não tem onde cair morto e, por isso, não morrerá tão facilmente.
A pobreza é uma espécie de escudo.
Vendeu sua arma (já que a alma ninguém quer comprar), vive de minuano, e mantém apenas a escrivaninha e as cadeiras dos clientes como o último reduto de sua reputação.
Nesta perspectiva, o escritor adaptou o romance policial para a tônica brasileira: é no desespero que formulamos nossas saídas; é no desespero que somos obrigatoriamente criativos.
O detetive sentimental descende da mesma safra atrapalhada de Ed Mort, investigador cômico de Luis Fernando Verissimo (aliás, Ed nasceu um ano depois de Cid e é uma espécie de irmão caçula).
Um homem de vida dura mais do que durão.
Sentimental, poético, querendo ajudar enquanto muitos só pensam em negociar.
Porto Alegre surge, despida, como cenário e testemunha de crimes e acidentes.
Quem mora por aqui reconhecerá um por um dos cantos, dos restaurantes, das travessias.
O dialeto regionalista (tal o do Tio Chinão) incrementa a trama universal.
Diesel e pólvora de James Ellroy e Elmore Leonard misturado ao mate e maconha gaudéria.
O cheiro levanta folheando as páginas.
Texto de combustão, ação é pouco para ele.
Uma brincadeira inteligente.
É tão bem escrito que parece história em quadrinhos.
A letra voa.
Confesso que me peguei voltando atrás porque achei que tinha visto a sucessão de desenhos das cenas que imaginei.
Imagens desconcertantes, vertiginosas, numa cinematografia da metáfora e da cultura de botequim: podem descer as máscaras de oxigênio do avião.
Adrenalina do início ao fim, o início tem a tensão do fim.
O detetive sentimental é, na verdade, uma coleção de finais sem trégua, sem posto de gasolina, sem paradinha para mijar.
Cid é sequestrado, logo ao conhecer Cisco Maioranos Júnior, um mexicano filho de latifundiário do Mato Grosso.
São levados por uma seita de mulheres carecas e presos nos esgotos do Viaduto da Borges.
Expostos ao sacrifício, escapam de uma ninhada de ratos e da gula de jacarés.
O protagonista termina contratado por Cisco para entender o caso e anular a perseguição.
O emprego tem preferência, não importam os perigos.
O que elas querem?
De onde são?
Vou interromper por aqui para não ser chamado de estraga-prazer.
Fabrício Carpinejar
TABAJARA RUAS
é escritor e cineasta.
Tem livros de ensaios, contos e 6 romances publicados no Brasil e traduzidos para 11 países.
Roteirista de 10 longas-metragens, dirigiu Netto perde sua alma, Brizola Tempos de Luta, Netto e o domador de cavalos e As cartas do domador.
Em 2007 lançou, pela Galera Record, seu primeiro trabalho para o público jovem: a trilogia Diogo & Diana.
Características
Acabamento: Brochura
Idioma: Português
Editora: Record
País: Brasil
I.S.B.N.: 978 - 85.01.08117 - 9
Edição: 1ª
Páginas: 446
Altura: 20,8 cm
Largura: 14 cm
Profundidade: 1.80 cm
Peso: 2.5 kg
Ano: 2008
Peso: 2.5 kg
Ano: 2008
https://www.amazon.com.br/Detetive-Sentimental-Cole%C3%A7%C3%A3o-Negra/dp/8501081175
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