Junta Cadáveres
Autor: Juan Carlos Onetti
R$ 10,00
Descrição
Um Romance Urgente
Escreveu, certa vez, o velho e dialeticamente sempre novo Hegel, esta frase em que ressoa uma profecia ainda a se cumprir: “A América é a terra do futuro onde, nas eras que se abrem diante de nós, se há de manifestar o âmago da história do mundo — talvez num choque entre a América do Norte e a do Sul”.

Um dialeta, mesmo quando seu sistema é de base idealística, como no caso de Hegel, não erra nunca.
Ademais, sua projeção não trouxe o timbre do imediatismo: como toda boa profecia é para varar os tempos.
Pode ser, portanto, que se cumpra, tais são os antagonismos que põem em irremediável conflito as duas Américas.
Mas enquanto ficamos nos reinos da profecia, a nós, da América Ibérica, cumpre realizar uma missão fundamental: derrubar as barreiras que nos isolam, fazendo-nos estranhos uns aos outros.
A muralha semântica e o biombo idiomático precisam ser removidos.
Esta série, Nossa América, visa a esse objetivo — irmanar os povos da América hispânica aos da América portuguesa.
Na realidade somos irmãos em tudo: a mesma pobreza, o mesmo sofrimento e as mesmas imensas possibilidades de redenção humana social.
Não se chegará à redenção senão por um caminho prévio: o do conhecimento de nossa própria humanidade.
Ou antes, da humanidade em que vivemos.
Esta é, porém, uma tarefa que só pode ser realizada pelos escritores da América.
Os seus escritores dotados de consciência social e, por isto, capazes de repetir na “nossa América” aquele tipo de “literatura de acusação” que surgiu na Rússia tzarista, e da qual as figuras supremas são Tolstói, Dostolévski, Górki.
Juan Carlos Onetti, uruguaio — o Uruguai que tem os chamados pueblos de rata (o nome diz a miséria que se concentra nesses conglomerados humanos) — é um desses escritores: potente, enérgico, viril.
A sua ficção é um desafio e um protesto.
Uma tomada de consciência.
Nada da novela cor de-rosa ou do romance descompromissado do costumbrismo.
Romance-participação, fincado na terra, na cidade, nos bairros pobres, na gente alienada — tanto se pode ser reduzido à alienação pela miséria como também pela riqueza.
Nas sociedades desiguais é assim — nas duas pontas da ordem social, a dos espoliados e a dos privilegiados, baila a alienação.
Tal é a “nossa América”.
Vale, numa apresentação, resumir o livro, sumariá-lo?
Não importa isso em reduzir o seu impacto sobre a sensibilidade do leitor?
Depois, uma estória, por melhor que seja, é sempre uma estória.
Não se desnuda uma obra de ficção.
E num romance como Junta-Cadáveres mais que a própria fábula importam, primeiro, o seu caráter de obra de arte ficcional.
É um livro de autor maduro, em plena posse de todas as suas faculdades criadoras.
Depois, a desmedida violência concentrada no painel, a rudeza dos tipos e a contrapartida dessa rudeza — seu lirismo recôndito, sua ternura não devassada.
E ainda, a impiedade da análise — lúcida, de doer nos olhos, e, por isto, comovente.
Numa palavra: um livro.
Um livro que se incorpora à nossa literatura, enriquecendo a experiência humana de nossos leitores, nesta transfusão de sangue cultural hispano-americano que a CIVILIZAÇÃO vem operando, no Brasil, através de Nossa América, em cuja coleção passa a se integrar este poderoso, forte, urgente romance.
Que pede também leitura urgente.
FRANKLIN DE OLIVEIRA
Características
Acabamento: Brochura
Idioma: Português
Editora: Civilização Brasileira
País: Brasil
I.S.B.N.: 978-857 665-4520 - 0
Edição: 1ª edição
Páginas: 87
Altura: 23 cm
Largura: 14 cm
Profundidade: 1,50 cm
Peso: 0.145 Kg
Ano da edição: 1968
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