segunda-feira, 30 de março de 2026

Ponciá Vicêncio - Conceição Evaristo

Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo

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A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista.

A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos.

Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva

Feliz Ano velho
Marcelo Rubens Paiva

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O romance autobiográfico sobre o acidente que colocou Marcelo Rubens Paiva numa cadeira de rodas quando tinha vinte anos marcou a estreia literária do autor e tornou-se, rapidamente, um sucesso entre o público e a crítica – amplamente traduzido, foi adaptado para teatro e cinema, conquistou prémios como o Jabuti, tornou-se tema de inúmeros trabalhos nas universidades brasileiras e, desde a sua publicação em 1982 até hoje, não tem parado de conquistar gerações de leitores.

Longe de ser o simples testemunho de uma experiência dolorosa,

Feliz Ano Velho

é o retrato geracional de uma juventude que, no final dos anos 1970, experimentava a abertura do governo militar e o sonho da redemocratização.

Durante o período de recuperação, Marcelo conta detalhes da sua infância e da sua juventude, dos seus casos amorosos e da sua carreira musical; fala também da repressão da ditadura militar e da perseguição aos cidadãos que se opusessem ao regime, incluindo a invasão da sua casa por seis militares que levaram o seu pai, o deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, que Marcelo não voltaria a ver e cuja história desenvolve em

Ainda estou aqui.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Os condenados da terra - Frantz Fanon

Os condenados da terra
Frantz Fanon

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Os condenados da terra é o ponto culminante de uma obra radical e incontornável abreviada pela morte precoce do psiquiatra martinicano Frantz Fanon, um dos pensadores mais revolucionários do século XX.

Ao analisar a situação colonial, Fanon tensiona política, sociedade e indivíduo, demonstrando de forma clara as estratégias e efeitos do poder dominante ― o resultado da opressão é raiva, dor e loucura.

Com isso, o autor desmonta a lógica colonial europeia ― branca, brutal e racista ―, e propõe uma “descolonização do ser”, afirmando:

É preciso mudar completamente, desenvolver um pensamento novo, tentar criar um homem novo.

Só assim é possível criar um mundo realmente humano, onde a massa deserdada de homens e mulheres dos países colonizados e pobres ― os condenados da terra ― sejam os inventores de sua própria vida.

Publicado em 1961, ano da morte de Fanon, que o escreveu doente e sabendo que o tempo era escasso, o livro é considerado um clássico absoluto, suma de seu pensamento e um tratado magistral sobre as relações entre colonialismo, racismo e insubmissão.

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domingo, 15 de março de 2026

A águia e a galinha - Leonardo Boff

A águia e a galinha
Leonardo Boff

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Todo ponto de vista é a vista de um ponto

Ler significa reler e compreender, interpretar.

Cada um lê com os olhos que tem.

E interpreta a partir de onde os pés pisam.

Todo ponto de vista é a vista de um ponta.

Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo.

Isso faz da leitura sempre uma releitura.

A cabeça pensa a partir de onde seus pés pisam.

Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha.

Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam.

Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.

Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor.

Porque cada um lê e relê com os olhos que tem.

Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.

Com estes pressupostos vamos contar a história de uma águia criada como galinha.

Essa história será lida e compreendida como uma metáfora da condição humana, cada um lerá e relerá conforme forem seus olhos, compreenderá e interpretará conforme for o chão que seus pés pisam.

O antigos bem diziam: habente sua fata libelli, os livros têm seu próprio destino.

Tinham razão, porque o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores.

E aí entram em cena a águia e a galinha, carregadas de significação, como veremos ao longo de nossa história.

Esperamos que para você a águia e a galinha se transformem também em símbolos e sacramentos da busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico.

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terça-feira, 10 de março de 2026

As religiões no Rio - João do Rio

As religiões no Rio
João do Rio

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Publicado inicialmente como reportagem, As religiões no Rio desenvolve um divertido levantamento dos mistérios das crenças no Rio de Janeiro do século XX: o protestantismo, o satanismo, os judeus, os espíritas, os católicos e muito mais.

João do Rio, um dos precursores da crônica no Brasil, responsável por elevá-la a categoria de gênero literário, reúne neste livro uma série de entrevistas com personagens de diversas religiões, oferecendo uma obra de caráter histórico e etnográfico, pioneira, singular e atemporal.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Marx e a superação do estado - Ademar Bogo

Marx e a superação do estado
Ademar Bogo

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O crescimento das forças conservadoras e mesmo reacionárias em várias partes do mundo, relacionado não apenas com os problemas da economia, recolocou no debate teórico e ideológico a discussão sobre os limites da democracia capitalista ligada a supostas soluções de “exceção” através de regimes políticos autoritários, fascistas ou ditatoriais.

Entretanto, a derrota das forças democráticas e populares na busca por uma democracia mais participativa na América Latina, incluindo o Brasil, ainda não foi acompanhada de um exame crítico e autocrítico sobre os limites da participação institucional no capitalismo, incluindo a ocupação de espaços no governo.

Esse exame poderia contribuir para atualizar o entendimento sobre as alterações no regime político e no próprio Estado na conjuntura atual, buscando restabelecer relações adequadas entre política e teoria, ou mesmo entre estratégia e tática no interior da primeira, sem deixar que o movimento operário e popular seja completamente absorvido pelas questões institucionais do dia a dia.

Em outras palavras, caso queira se pensar em uma transformação profunda da sociedade, é preciso retomar o debate sobre o socialismo nesse início de século XXI, pois apesar dos discursos oficiais de vários partidos e movimentos de esquerda, ele se tornou um elo perdido no horizonte de suas práticas políticas e teóricas, 2 limitadas aos temas da constitucionalidade, da legalidade, da governabilidade, etc.

Nesse sentido, o livro de Ademar Bogo oferece mais uma possibilidade de se discutir o socialismo, levantando um conjunto de questões não apenas econômicas e políticas, tais como: o que é a transição, qual a natureza do socialismo, como se daria a luta pelo poder econômico e político, como atingir a superação do Estado e do próprio capital, etc.; além de fazer referências às tentativas históricas de transição socialista do século XX, especialmente a experiência soviética sob Lenin.

Bogo inicia a sua análise no capitalismo com a mercadoria, entendida como forma possuidora de poder social e político (p.28), passando depois para as formas dinheiro e capital.

Para ele, a “personificação das formas sociais de poder” não tem como referência o “indivíduo como tal”, mas a “forma social em sua totalidade” (p.56).

Sua atenção se volta para a compreensão do poder social e político que possuem essas formas, indicando ainda o fetiche da mercadoria como uma expressão dele.

Isso já nos mostra que um dos elementos teóricos centrais de seu trabalho é a análise da forma, seja ela social, econômica, política ou jurídica.

Na segunda parte, o autor ainda continua no capitalismo, mas volta-se para a “forma política estatal centralizada” (p.59), ou seja, o Estado capitalista em sua relação com a igualdade jurídica, o antagonismo 3 de classes e a “servidão voluntária” [sic] no capitalismo, que estaria associada à

submissão por parte dos trabalhadores às [suas] formas econômicas, políticas e jurídicas” (p.95).

Sublinhando que o seu caráter é capitalista porque se volta para a reprodução do conjunto de condições do modo capitalista de produção, sobretudo das formas que lhe são específicas.

Embora o autor faça várias referências à transição nessas duas partes iniciais, de quase cem páginas, como em uma primeira noção na página 20:

a transição é um processo organizado e sustentando pela relação das formas sociais diversas de cada sociedade, tendo em frente os objetivos revolucionários a serem efetivados”;

é apenas na terceira parte do livro que ela adquire uma posição mais privilegiada na sua análise.

A partir daí começam várias outras afirmações sobre o que ela seria: um “movimento ascendente” no enfrentamento das contradições em geral (p.101);

um “movimento dialético das superações constantes das leis e formas sociais do poder” (p.101)

– nesse caso seria também um “método”, ou a própria dialética;

uma “revolução permanente” (p.129);

e na quarta parte, ela seria o “socialismo científico” (p.199), além de ser a passagem “do direito para a emancipação” (p.225).

Essa pluralidade terminológica se apoia na ideia de que “o processo de transição”, em sentido geral, seria o próprio “movimento histórico” da sociedade (p.102); seguida da proposição 4 de que apenas “em um sentido mais aplicado”, a transição “adentraria” “o período da construção do socialismo”. (101)

Ou seja, Bogo opera com duas noções de transições: a transição em geral, de alguma forma presente já no capitalismo, e a transição específica para o socialismo, porém, ele nem sempre especifica claramente no texto a passagem de uma para outra.

Com isso, Bogo não situa claramente a questão fundamental do início da transição socialista precedida pela revolução política dos trabalhadores, chegando a admitir que ela já ocorreria no próprio capitalismo como nos mostram várias afirmações – ver, por exemplo, as páginas 17, 22, 119 e 189.

Já a questão do Estado e, sobretudo, a da sua superação, que é o título do livro, passa a ser abordada de maneira mais desenvolvida na terceira parte, a partir da página 151 e em alguns itens da quarta e última parte.

O autor assinala que

não é no ato da tomada do Estado que a transição se transforma em poder real do proletariado, mas na apropriação da base produtiva que deixa de ter o controle sobre os homens associados” (164).

Ou seja, a conquista do poder estatal é condição necessária, porém insuficiente para o avanço do socialismo.

Isso porque esse processo se apoiaria em um tripé:

o controle do capital e das forças produtivas, o controle do Estado e de todas as estruturas do poder político, e as mudança das relações entre as pessoas” (p.175).

Ao longo da exposição nota-se o esforço do autor em tentar se apoiar em duas perspectivas teóricas distintas: a primeira é a do sujeito histórico e revolucionário, com base sobretudo nas análises de Istvan Mészaros; e a segunda a da forma política apoiado na obra de Joachim Hirsch.

Vejamos um exemplo, entre outros, de cada uma delas envolvendo a questão central do Estado: ao tratar do capitalismo, Bogo afirma que

a necessidade de afirmação da classe dominante levou, ao mesmo tempo, a criar o Estado capitalista como forma de poder apropriado para esse fim” (p.59, itálico nosso).

E na mesma página em nota de rodapé, ele cita Hirsch quando afirma que as estruturas sociais capitalistas

surgiram por meio da ação social, em que a violência desempenhou um papel central”.

Mas Hirsch não se refere a nenhum sujeito.

Mais especificamente sobre o Estado capitalista, o autor alemão sublinha na mesma passagem que esse surgiu

na medida em que o desenvolvimento das correspondentes relações econômicas e políticas deu-se em uma correlação muito complexa” (p.59).

O que ele refuta aqui é a tese de uma “relação causal tão unívoca” envolvendo a economia e o Estado no surgimento do capitalismo, negando a anterioridade de uma ou de outro, pois o Estado “surgiu com ela”, a economia (Idem, o itálico é do original e não foi registrado na nota de rodapé com a citação na edição em foco).

Além disso, as formas sociais não são “criadas” por indivíduos ou classes, mas, pelo contrário, elas

determinam as orientações ligadas à percepção e aos comportamentos 6 gerais e estruturais”.

Em suma,

o conceito de forma social designa a relação de articulação entre estrutura social -...-, instituições e ações.”
(Hirsch, Teoria materialista do Estado, 2010:48-49)

Novamente, nenhuma referência a um eventual sujeito na história, e, muito menos, de um sujeito da história.

Isso nos indicaria a incompatibilidade teórica entre o núcleo central das análises de Mészaros e Hirsch, que não pode ser resolvida com afirmações de Bogo como:

Há, portanto, o sujeito que age socialmente, produz e reproduz formas econômicas, políticas e jurídicas, que, por meio delas, pode fazer escolhas.”
(p.108, itálicos nossos)

Por fim, vale assinalar que em relação à superação do Estado, predomina no trabalho de Bogo a influência de Mészáros.

Isso se revela não apenas na dificuldade do autor em assumir a tese do Estado socialista – incluindo as suas oscilantes referências à ditadura do proletariado, com aspas ou sem aspas -, e atribuindo a Marx “formulações” que apenas

apontam para a superação do Estado capitalista e não a estruturação de outro Estado, mas de associações públicas e de produtores” (p.212, itálicos nossos),

que se concretizaria através do “associativismo” em condições de eliminar

a dicotomia entre produção, reprodução e política”(pp.222-223).

Como também na proposição mais geral de que o poder de Estado – várias vezes apresentado no texto como sinônimo do poder político em geral -, seria reabsorvido pela sociedade já no socialismo (v.pp.214-215), deixando 7 de existir enquanto instância “separada” dela. (Sobre esse último ponto, o leitor poderá consultar a resenha nesse sítio sobre o livro de Mészáros A montanha que devemos conquistar – Reflexões sobre o Estado.)

Além desse conjunto de questões fundamentais, a obra de Ademar Bogo traz ainda outras contribuições para o debate atual sobre o socialismo que não mencionamos aqui por razão de espaço.

Ela merece ser lida, estudada e discutida por todos aqueles que realmente buscam uma real alternativa transformadora ao capitalismo.


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Ponciá Vicêncio - Conceição Evaristo

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