O POÇO E OUTRAS HISTÓRIAS
autor: Mario de Andrade
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O livro é uma síntese dos principais traços do estilo do autor: oralidade, linguagem simples e livre, referências pessoais mais ou menos explícitas, temática do trabalho e da solidão.
As narrativas de Contos novos podem ser divididas em dois grandes grupos, de acordo com o foco narrativo.
Assim, temos três contos narrados em terceira pessoa: “O poço”;
“O ladrão” e
“Primeiro de maio”.
Nos contos narrados em terceira pessoa, duas imagens sobressaem: de um lado, a solidão; de outro, a solidariedade.
Por outro lado, a solidariedade se manifesta no universo do trabalho na união dos empregados de “O poço”, que enfrentam o fazendeiro – imagem acabada do autoritarismo paternalista e do desprezo elitista pela vida humana.
O poço
Alguns homens, trabalhando debaixo de chuva a serviço do fazendeiro Joaquim Prestes, constroem um poço em um pesqueiro na beira do rio Mogi.
Examinando o trabalho, o fazendeiro deixa cair uma caneta no poço e ordena aos homens que a busquem.
A terra é mole, o frio é intenso e a missão difícil e arriscada.
O fazendeiro, no entanto, exige o cumprimento da ordem.
Albino, mais magro, obedece, para preocupação de seu irmão José, temeroso de um desmoronamento de terra na boca do poço.
Diante dos perigos, José impede o irmão de continuar as buscas e elas são adiadas para um dia de tempo melhor.
O fazendeiro se revolta e vai embora.
Dois dias depois, a caneta é encontrada e entregue, bem limpa.
Observando-a, o proprietário repara em alguns riscos.
Lança um palavrão e joga-a no lixo, pegando outra de uma coleção na qual figuravam algumas de ouro.
O ladrão
A perseguição a um ladrão provoca correria pelas ruas de um bairro operário, envolvendo policiais e moradores.
O conto apresenta uma sucessão de pequenos episódios: homens corajosos que entram nas casas; outros, mais temerosos, que, alegando ter família, afastam-se do local; policial que flerta com uma moradora, bela mulher que, segundo boatos, recebia homens em sua casa durante as constantes ausências do marido; alguns rapazes que discutem com uma moça, acusando-a de dar um alarme falso sobre o ladrão; um violinista que se aproxima, toca uma valsa e é aplaudido.
Aos poucos, os grupos se dispersam, restando apenas alguns reunidos no ponto do bonde.
Primeiro de maio
Na celebração do Dia do Trabalho, o carregador de malas 35, que trabalha na Estação da Luz (ferroviária paulistana), resolve se dar o luxo de faltar ao trabalho.
É uma manhã de sol e 35 se barbeia, veste uma roupa bonita e sai de sua casa.
Sem se dar conta, acaba tomando o rumo costumeiro do trabalho.
No caminho, nota a cidade tomada por policiais.
Chega à Estação e zomba de alguns companheiros que preferem trabalhar ao invés de comemorar.
Intelectual de uma riqueza impressionante, foi poeta, contista, romancista, musicólogo, cronista, esteta, epistológrafo, crítico de artes, de literatura, além de folclorista; tendo exercido enorme influência nas gerações que lhe sucederam.
Em 1917, publicou seu primeiro livro, sob o pseudônimo de Mário Sobral, intitulado "
No entanto, foram as inovações formais de outra obra poética sua, Pauliceia desvairada, publicada justamente em 1922, que o consolidaram como um dos maiores poetas da literatura brasileira.
O célebre
"A estreia de Mário como romancista se dá com "Amar, verbo intransitivo"
Nesse texto, já se antecipa o experimentalismo de linguagem radicalizado em "Macunaíma, o heroi sem nenhum caráter".
Nesta obra, Mário de Andrade potencializa o uso literário da linguagem oral e popular e mistura folclore, lendas, mitos e manifestações religiosas de vários recantos do Brasil, como se fizessem parte de uma unidade nacional.
Morreu em 1945, aos 52 anos, deixando um vazio nas Letras e mais de vinte livros publicados.
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