domingo, 5 de abril de 2026

Ponciá Vicêncio - Conceição Evaristo

Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo

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Morte e Vida Severina (1954-55), poema que dá nome ao livro, é a obra mais popular de João Cabral e aborda o tema da seca nordestina, dando voz aos retirantes que fazem o duro percurso entre o rio Capibaribe e Recife.

O poema O rio também retrata o universo árido às margens do rio Capibaribe, mas dá voz a ele próprio como condutor da narrativa.

Engenhos de cana-de-açúcar, usinas, retirantes e trabalhadores são retratados na velocidade do correr das águas.

Em Paisagens com figuras (1955), João Cabral sintetiza em palavras uma de suas principais características, que é o hibridismo de linguagens.

Mesclando descrições de imagens de Pernambuco, com paisagens da Espanha, o poeta desfila toda sua expressividade onírica.

Por fim, Uma faca sem lâmina (1955), trata do desafio da composição poética, que ele ilustra numa faca sem bainha, que corta o poeta por dentro.

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Ponciá Vicêncio - Conceição Evaristo

Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo

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A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista.

A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos.

Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva

Feliz Ano velho
Marcelo Rubens Paiva

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O romance autobiográfico sobre o acidente que colocou Marcelo Rubens Paiva numa cadeira de rodas quando tinha vinte anos marcou a estreia literária do autor e tornou-se, rapidamente, um sucesso entre o público e a crítica – amplamente traduzido, foi adaptado para teatro e cinema, conquistou prémios como o Jabuti, tornou-se tema de inúmeros trabalhos nas universidades brasileiras e, desde a sua publicação em 1982 até hoje, não tem parado de conquistar gerações de leitores.

Longe de ser o simples testemunho de uma experiência dolorosa,

Feliz Ano Velho

é o retrato geracional de uma juventude que, no final dos anos 1970, experimentava a abertura do governo militar e o sonho da redemocratização.

Durante o período de recuperação, Marcelo conta detalhes da sua infância e da sua juventude, dos seus casos amorosos e da sua carreira musical; fala também da repressão da ditadura militar e da perseguição aos cidadãos que se opusessem ao regime, incluindo a invasão da sua casa por seis militares que levaram o seu pai, o deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, que Marcelo não voltaria a ver e cuja história desenvolve em

Ainda estou aqui.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Os condenados da terra - Frantz Fanon

Os condenados da terra
Frantz Fanon

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Os condenados da terra é o ponto culminante de uma obra radical e incontornável abreviada pela morte precoce do psiquiatra martinicano Frantz Fanon, um dos pensadores mais revolucionários do século XX.

Ao analisar a situação colonial, Fanon tensiona política, sociedade e indivíduo, demonstrando de forma clara as estratégias e efeitos do poder dominante ― o resultado da opressão é raiva, dor e loucura.

Com isso, o autor desmonta a lógica colonial europeia ― branca, brutal e racista ―, e propõe uma “descolonização do ser”, afirmando:

É preciso mudar completamente, desenvolver um pensamento novo, tentar criar um homem novo.

Só assim é possível criar um mundo realmente humano, onde a massa deserdada de homens e mulheres dos países colonizados e pobres ― os condenados da terra ― sejam os inventores de sua própria vida.

Publicado em 1961, ano da morte de Fanon, que o escreveu doente e sabendo que o tempo era escasso, o livro é considerado um clássico absoluto, suma de seu pensamento e um tratado magistral sobre as relações entre colonialismo, racismo e insubmissão.

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domingo, 15 de março de 2026

A águia e a galinha - Leonardo Boff

A águia e a galinha
Leonardo Boff

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Todo ponto de vista é a vista de um ponto

Ler significa reler e compreender, interpretar.

Cada um lê com os olhos que tem.

E interpreta a partir de onde os pés pisam.

Todo ponto de vista é a vista de um ponta.

Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo.

Isso faz da leitura sempre uma releitura.

A cabeça pensa a partir de onde seus pés pisam.

Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha.

Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam.

Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.

Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor.

Porque cada um lê e relê com os olhos que tem.

Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.

Com estes pressupostos vamos contar a história de uma águia criada como galinha.

Essa história será lida e compreendida como uma metáfora da condição humana, cada um lerá e relerá conforme forem seus olhos, compreenderá e interpretará conforme for o chão que seus pés pisam.

O antigos bem diziam: habente sua fata libelli, os livros têm seu próprio destino.

Tinham razão, porque o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores.

E aí entram em cena a águia e a galinha, carregadas de significação, como veremos ao longo de nossa história.

Esperamos que para você a águia e a galinha se transformem também em símbolos e sacramentos da busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico.

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terça-feira, 10 de março de 2026

As religiões no Rio - João do Rio

As religiões no Rio
João do Rio

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Publicado inicialmente como reportagem, As religiões no Rio desenvolve um divertido levantamento dos mistérios das crenças no Rio de Janeiro do século XX: o protestantismo, o satanismo, os judeus, os espíritas, os católicos e muito mais.

João do Rio, um dos precursores da crônica no Brasil, responsável por elevá-la a categoria de gênero literário, reúne neste livro uma série de entrevistas com personagens de diversas religiões, oferecendo uma obra de caráter histórico e etnográfico, pioneira, singular e atemporal.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Marx e a superação do estado - Ademar Bogo

Marx e a superação do estado
Ademar Bogo

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O crescimento das forças conservadoras e mesmo reacionárias em várias partes do mundo, relacionado não apenas com os problemas da economia, recolocou no debate teórico e ideológico a discussão sobre os limites da democracia capitalista ligada a supostas soluções de “exceção” através de regimes políticos autoritários, fascistas ou ditatoriais.

Entretanto, a derrota das forças democráticas e populares na busca por uma democracia mais participativa na América Latina, incluindo o Brasil, ainda não foi acompanhada de um exame crítico e autocrítico sobre os limites da participação institucional no capitalismo, incluindo a ocupação de espaços no governo.

Esse exame poderia contribuir para atualizar o entendimento sobre as alterações no regime político e no próprio Estado na conjuntura atual, buscando restabelecer relações adequadas entre política e teoria, ou mesmo entre estratégia e tática no interior da primeira, sem deixar que o movimento operário e popular seja completamente absorvido pelas questões institucionais do dia a dia.

Em outras palavras, caso queira se pensar em uma transformação profunda da sociedade, é preciso retomar o debate sobre o socialismo nesse início de século XXI, pois apesar dos discursos oficiais de vários partidos e movimentos de esquerda, ele se tornou um elo perdido no horizonte de suas práticas políticas e teóricas, 2 limitadas aos temas da constitucionalidade, da legalidade, da governabilidade, etc.

Nesse sentido, o livro de Ademar Bogo oferece mais uma possibilidade de se discutir o socialismo, levantando um conjunto de questões não apenas econômicas e políticas, tais como: o que é a transição, qual a natureza do socialismo, como se daria a luta pelo poder econômico e político, como atingir a superação do Estado e do próprio capital, etc.; além de fazer referências às tentativas históricas de transição socialista do século XX, especialmente a experiência soviética sob Lenin.

Bogo inicia a sua análise no capitalismo com a mercadoria, entendida como forma possuidora de poder social e político (p.28), passando depois para as formas dinheiro e capital.

Para ele, a “personificação das formas sociais de poder” não tem como referência o “indivíduo como tal”, mas a “forma social em sua totalidade” (p.56).

Sua atenção se volta para a compreensão do poder social e político que possuem essas formas, indicando ainda o fetiche da mercadoria como uma expressão dele.

Isso já nos mostra que um dos elementos teóricos centrais de seu trabalho é a análise da forma, seja ela social, econômica, política ou jurídica.

Na segunda parte, o autor ainda continua no capitalismo, mas volta-se para a “forma política estatal centralizada” (p.59), ou seja, o Estado capitalista em sua relação com a igualdade jurídica, o antagonismo 3 de classes e a “servidão voluntária” [sic] no capitalismo, que estaria associada à

submissão por parte dos trabalhadores às [suas] formas econômicas, políticas e jurídicas” (p.95).

Sublinhando que o seu caráter é capitalista porque se volta para a reprodução do conjunto de condições do modo capitalista de produção, sobretudo das formas que lhe são específicas.

Embora o autor faça várias referências à transição nessas duas partes iniciais, de quase cem páginas, como em uma primeira noção na página 20:

a transição é um processo organizado e sustentando pela relação das formas sociais diversas de cada sociedade, tendo em frente os objetivos revolucionários a serem efetivados”;

é apenas na terceira parte do livro que ela adquire uma posição mais privilegiada na sua análise.

A partir daí começam várias outras afirmações sobre o que ela seria: um “movimento ascendente” no enfrentamento das contradições em geral (p.101);

um “movimento dialético das superações constantes das leis e formas sociais do poder” (p.101)

– nesse caso seria também um “método”, ou a própria dialética;

uma “revolução permanente” (p.129);

e na quarta parte, ela seria o “socialismo científico” (p.199), além de ser a passagem “do direito para a emancipação” (p.225).

Essa pluralidade terminológica se apoia na ideia de que “o processo de transição”, em sentido geral, seria o próprio “movimento histórico” da sociedade (p.102); seguida da proposição 4 de que apenas “em um sentido mais aplicado”, a transição “adentraria” “o período da construção do socialismo”. (101)

Ou seja, Bogo opera com duas noções de transições: a transição em geral, de alguma forma presente já no capitalismo, e a transição específica para o socialismo, porém, ele nem sempre especifica claramente no texto a passagem de uma para outra.

Com isso, Bogo não situa claramente a questão fundamental do início da transição socialista precedida pela revolução política dos trabalhadores, chegando a admitir que ela já ocorreria no próprio capitalismo como nos mostram várias afirmações – ver, por exemplo, as páginas 17, 22, 119 e 189.

Já a questão do Estado e, sobretudo, a da sua superação, que é o título do livro, passa a ser abordada de maneira mais desenvolvida na terceira parte, a partir da página 151 e em alguns itens da quarta e última parte.

O autor assinala que

não é no ato da tomada do Estado que a transição se transforma em poder real do proletariado, mas na apropriação da base produtiva que deixa de ter o controle sobre os homens associados” (164).

Ou seja, a conquista do poder estatal é condição necessária, porém insuficiente para o avanço do socialismo.

Isso porque esse processo se apoiaria em um tripé:

o controle do capital e das forças produtivas, o controle do Estado e de todas as estruturas do poder político, e as mudança das relações entre as pessoas” (p.175).

Ao longo da exposição nota-se o esforço do autor em tentar se apoiar em duas perspectivas teóricas distintas: a primeira é a do sujeito histórico e revolucionário, com base sobretudo nas análises de Istvan Mészaros; e a segunda a da forma política apoiado na obra de Joachim Hirsch.

Vejamos um exemplo, entre outros, de cada uma delas envolvendo a questão central do Estado: ao tratar do capitalismo, Bogo afirma que

a necessidade de afirmação da classe dominante levou, ao mesmo tempo, a criar o Estado capitalista como forma de poder apropriado para esse fim” (p.59, itálico nosso).

E na mesma página em nota de rodapé, ele cita Hirsch quando afirma que as estruturas sociais capitalistas

surgiram por meio da ação social, em que a violência desempenhou um papel central”.

Mas Hirsch não se refere a nenhum sujeito.

Mais especificamente sobre o Estado capitalista, o autor alemão sublinha na mesma passagem que esse surgiu

na medida em que o desenvolvimento das correspondentes relações econômicas e políticas deu-se em uma correlação muito complexa” (p.59).

O que ele refuta aqui é a tese de uma “relação causal tão unívoca” envolvendo a economia e o Estado no surgimento do capitalismo, negando a anterioridade de uma ou de outro, pois o Estado “surgiu com ela”, a economia (Idem, o itálico é do original e não foi registrado na nota de rodapé com a citação na edição em foco).

Além disso, as formas sociais não são “criadas” por indivíduos ou classes, mas, pelo contrário, elas

determinam as orientações ligadas à percepção e aos comportamentos 6 gerais e estruturais”.

Em suma,

o conceito de forma social designa a relação de articulação entre estrutura social -...-, instituições e ações.”
(Hirsch, Teoria materialista do Estado, 2010:48-49)

Novamente, nenhuma referência a um eventual sujeito na história, e, muito menos, de um sujeito da história.

Isso nos indicaria a incompatibilidade teórica entre o núcleo central das análises de Mészaros e Hirsch, que não pode ser resolvida com afirmações de Bogo como:

Há, portanto, o sujeito que age socialmente, produz e reproduz formas econômicas, políticas e jurídicas, que, por meio delas, pode fazer escolhas.”
(p.108, itálicos nossos)

Por fim, vale assinalar que em relação à superação do Estado, predomina no trabalho de Bogo a influência de Mészáros.

Isso se revela não apenas na dificuldade do autor em assumir a tese do Estado socialista – incluindo as suas oscilantes referências à ditadura do proletariado, com aspas ou sem aspas -, e atribuindo a Marx “formulações” que apenas

apontam para a superação do Estado capitalista e não a estruturação de outro Estado, mas de associações públicas e de produtores” (p.212, itálicos nossos),

que se concretizaria através do “associativismo” em condições de eliminar

a dicotomia entre produção, reprodução e política”(pp.222-223).

Como também na proposição mais geral de que o poder de Estado – várias vezes apresentado no texto como sinônimo do poder político em geral -, seria reabsorvido pela sociedade já no socialismo (v.pp.214-215), deixando 7 de existir enquanto instância “separada” dela. (Sobre esse último ponto, o leitor poderá consultar a resenha nesse sítio sobre o livro de Mészáros A montanha que devemos conquistar – Reflexões sobre o Estado.)

Além desse conjunto de questões fundamentais, a obra de Ademar Bogo traz ainda outras contribuições para o debate atual sobre o socialismo que não mencionamos aqui por razão de espaço.

Ela merece ser lida, estudada e discutida por todos aqueles que realmente buscam uma real alternativa transformadora ao capitalismo.


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A herança do golpe - Jessé de Souza

A herança do golpe
Jessé de Souza

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Conheça as redes de interesses e o que fez do golpe de 2016 uma das manobras políticas mais torpes da história do Brasil, evidenciando os mecanismos que permitiram às elites manipular a população em benefício próprio.

Pouquíssimos intelectuais e comentaristas políticos tinham tanta certeza quanto Jessé Souza de que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff se tratava da fachada perfeita para um típico golpe de Estado à moda brasileira.

Naquele momento alarmante da política nacional, Jessé Souza cumpriu uma difícil tarefa: explicar como a "cultura de golpes de Estado", promovida historicamente pela elite contra as políticas públicas de inclusão dos mais pobres – como aconteceu com Getúlio Vargas e João Goulart –, estava em franca atuação sem que a população se desse conta disso.

O golpe de 2016 recolocou em cena o falso moralismo da classe média indignada, que se valeu do argumento do "combate à corrupção" para, na prática, manter seus privilégios diante dos mais pobres e a exclusividade da primeira fila de sustentação da elite. Essa indignação se descolou dos grandes protestos de 2013 para ganhar a representação, manipulada e inflada pela mídia, da "vontade popular" que tomou as ruas nos atos pró-impeachment, anos depois.

A associação imediata desse descontentamento ao aparato jurídico-policial do Estado – que tinha a força-tarefa da Operação Lava Jato como testa de ferro e Sergio Moro como uma espécie de super-herói anticorrupção – devastou nossa jovem democracia e gerou um fenômeno reacionário e popular nunca antes visto na história da vida pública brasileira.

A herança do golpe, portanto, não é o governo Michel Temer, como primeiramente se poderia crer.

A herança do golpe é o bolsonarismo, um conjunto de manipulações cognitivas e emocionais que explora a fragilidade das pessoas que não conhecem as razões de sua pobreza e humilhação.

É justamente essa estratégia de dominação – fruto de uma ideologia racista, excludente e autoritária – que Jessé Souza objetiva desarmar neste livro.

Uma contribuição imperiosa para entender o Brasil contemporâneo e seus desafios sociais mais emergentes.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O gato Malhado e a andorinha Sinhá - Uma história de amor - Jorge Amado

O gato Malhado e a andorinha Sinhá - Uma história de amor
Jorge Amado

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O temperamento do gato malhado não era dos melhores.

Sua fama de encrenqueiro era tanta que, quando ele aparecia no parque, todos fugiam: a galinha carijó, o reverendo papagaio, o pato negro, a pata branca, mamãe sabiá, os pombos, os cães.

Até as flores se fechavam à sua passagem.

Ao descobrir que todos os bichos tinham medo dele, o gato fica arrasado.

Mas logo retoma sua indiferença habitual, pois não se importa com os outros.

O que ele não sabia é que havia alguém que não tinha nem um pouco de medo dele: a andorinha Sinhá.

Jorge Amado escreveu O gato malhado e a andorinha Sinhá em 1948, em Paris.

Não era uma história para ser publicada em livro, mas um presente para o filho, João Jorge, que completava um ano de idade.

Guardado entre as coisas do menino, o texto só foi reencontrado em 1976.

João Jorge entregou a narrativa a Carybé, e o artista ilustrou as páginas datilografadas.

Jorge Amado deu-se por vencido:
Diante do que não tive mais condições para recusar-me à publicação por tantos reclamada: se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa pagar as aquarelas de Carybé”.

O livro foi publicado no mesmo ano, sem alterações do original escrito quase trinta anos antes.

Se fosse bulir nele, teria de reestruturá-lo por completo, fazendo-o perder sua única qualidade: a de ter sido escrito simplesmente pelo prazer de escrevê-lo, sem nenhuma obrigação de público e de editor”, destacou Jorge Amado.

A história é inspirada na tradição popular das narrativas orais.

Jorge Amado colheu o tema de uma trova do poeta Estêvão da Escuna, que a costumava recitar no Mercado das Sete Portas, em Salvador.

O texto foi adaptado mais tarde para teatro e balé.

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

As esganadas - Jô Soares

As esganadas
Jô Soares

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Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas.

Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e… gordas.

Sua arma: irresistíveis doces portugueses.

Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades.

Em As esganadas, o autor do best-seller O xangô de Baker Street explora mais uma vez tema que lhe é caro: os assassinatos em série.

No entanto, tal como Alfred Hitchcock, que desprezava os romances policiais cujo objetivo se resume a descobrir quem é o criminoso (o famoso “whodonit”), Jô Soares revela logo no início não somente quem é o desalmado como sua motivação psicológica (melhor dizer psicanalítica) para matar.

O delicioso núcleo narrativo está nas tentativas aparvalhadas da polícia de encontrar um criminoso que, além de muito esperto e de não despertar suspeita nenhuma, possui uma rara característica física que dificulta sobremaneira a utilização dos novos “métodos científicos” da polícia carioca.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne

A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne
Walcyr Carrasco
Tradução e adaptação

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Phileas Fogg, um inglês pacato, calmo, metódico e solitário, cumpria todos os dias a mesma rotina.

Misterioso, nunca compartilhava sua intimidade com ninguém.

Mas tudo mudou quando apostou com alguns sócios do Reform Club metade de sua fortuna, afirmando que daria a volta ao mundo em 80 dias!

Era o ano de 1872, e ele e seu novo criado, Passepartout, embarcaram em uma aventura que nenhum dos dois imaginava como seria o seu fim!

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Marx - vida e obra - Leandro Konder

Marx - vida e obra
Leandro Konder

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Leandro Konder escreve este livro que nada mais pretende senão iniciar o leitor nas teorias de um dos mais importantes pensadores da humanidade: Karl Marx.

Um século depois da publicação do seu Manifesto comunista, mais da metade do mundo foi transformada em suas estruturas básicas pelas suas teorias econômicas e filosóficas.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Contos dispersos - Alberto Moravia

Contos dispersos
Alberto Moravia

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Contos Dispersos reúne sessenta e nove contos "novos" de Moravia, encontrados dispersos em jornais, revistas e almanaques entre os anos de 1928 a 1951.

Uma intensa pesquisa em várias bibliotecas, empreendida por Simone Casini e Francesca Serra, resultou num resultado imprevisto.

Moravia parecia ter "esquecido" ou deixado no mais profundo esquecimento dos arquivos uma parte prolixa do seu trabalho.

Os contos publicados neste volume nos fazem compreender que, mesmo tendo sido ele o mais feliz intérprete da tradição "realista" italiana, que vai de Boccaccio e Maquiavel a Goldoni e Manzoni, havia também algo mais em sua ficção que parece se situar fora dessa linha e encontra nele uma vigorosa síntese.

A obra Contos Dispersos está dividida em três fases: aqueles que emergem ou explodem a partir da guerra; os contos que esboçam "tipos" ou "caracteres", equilibrando classicismo e surrealismo; e as narrativas "romanas" ou as "da Ciociaria" do pós-guerra, em que transparece visível regozijo.

Estes contos, em sua totalidade, nos mostram que Moravia foi também bom leitor, um autêntico discípulo, como ele próprio afirmava, de Rimbaud e Dostoievski.

Suas páginas, que mergulham nos escaninhos ou "cavernas" da psique e nos advertem de que o mal está sempre à beira das portas da alma, são seguidas de outras que abordam temores, revoltas, fantasias e em que desfilam visões da moderna civilização urbana em meio a uma atmosfera de irrealidade simbólica.

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domingo, 25 de janeiro de 2026

A lenda do funk carioca - Marcelo Gularte

A lenda do funk carioca
Marcelo Gularte

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O romance A lenda do funk carioca é inspirado na organicidade de mais de quatro décadas desse polêmico movimento de cultura popular.

Essa obra representa a materialização plena da memória latente dos MCs, DJs, produtores e realizadores dos memoráveis bailes.

Além é claro, da preciosa contribuição da massa funkeira, que deu voz a essas histórias dinamicamente contadas nesse primeiro volume.

Marcelo Gularte, de 42 anos, entra novamente para o RankBrasil em 2014.

Retratando a história do gênero musical entre os anos de 1970 a 2014, ele obteve o título de Livro com a maior cronologia sobre o funk.

Recordista quatro vezes neste ano, três apenas com o livro ‘A lenda do funk carioca’, o autor produziu a mais extensa obra sobre o assunto.

A publicação conta com a história de mais de 500 personagens que fazem e fizeram parte da história dos bailes no Rio de Janeiro (RJ).

Só pelo tamanho, o trabalho resultou em outro recorde: Maior romance em número de páginas, com 1.177 laudas.

Para reproduzir o contexto da época, Marcelo conversou com frequentadores e produtores musicais da região.

Com tantas histórias ouvidas, escrever ficou fácil, possibilitando que ele terminasse a obra em apenas nove meses, recebendo outro título brasileiro, de Mais rápido a pesquisar e publicar livro de Literatura.

Segundo o recordista, a publicação é considerada a ‘Bíblia do funk’ pelos admiradores do gênero e muito aguardada pelo público.

Ainda não publiquei porque estou buscando uma editora e patrocínio. O livro é muito grande e custa caro. Precisei resumir alguns trechos porque ficaria maior com tanto conteúdo”, explica.

Além da versão impressa com 1.177 laudas, o escritor tem disponível um formato com 1.400 páginas.

Para Marcelo, conquistar o quarto recorde na área cultural no período de um ano é uma alegria.

Nós que trabalhamos com cultura sabemos como é difícil e sinto uma satisfação imensa. É muito bacana este livro já conquistar três títulos antes mesmo de ser lançado. Fui até acusado de megalomaníaco”, brinca.

Nascido no bairro Madureira, o autor atualmente vive no bairro Catete, na zona sul da cidade maravilhosa.

É cineasta, roteirista e dirigiu os curtas-metragens ‘Bang território em transição’ e ‘Mc Magalhães, uma lenda viva do funk’.

Ele coordena ainda dois Pontos de Cultura em comunidades: um transforma lixo em instrumentos musicais e o outro ensina técnicas de cinema para adolescentes.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

24 contos de F. Scott Fitzgerald - Ruy Castro (Tradução)

24 contos de F. Scott Fitzgerald
Ruy Castro
(Tradução)

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Famoso por romances como O grande Gatsby, Suave é a noite e Este lado do paraíso, F. Scott Fitzgerald merece igualmente constar entre os grandes contistas do século XX.

Ao longo de sua carreira, escreveu cerca de 160 contos, com os quais ganhava a vida, afiava o domínio da narrativa sinuosa e do diálogo cortante, e firmava junto ao público o seu lugar de grande cronista da Era do Jazz.

Ambientados em Nova York ou Paris, na Suíça ou na Riviera, os 24 contos que Ruy Castro reuniu neste volume acompanham a juventude dourada americana dos anos 20, no seu vaivém entre o Velho e o Novo Mundo; adentram a década seguinte, marcada pelo crash de 1929; e terminam na Califórnia, pouco antes da Segunda Guerra, onde o autor, falido e decadente, tentava a sorte em Hollywood.

Homens bonitos e frágeis, moças petulantes de cabelo à la garçonne, milionários chucros cometendo gafes em Paris, bêbados e ingênuos de todo tipo povoam as festas, hotéis, praias e mansões dos contos de Fitzgerald.

Mas ele não escrevia apenas para registrar e celebrar a vida efervescente a seu redor: procurava transformar em arte seus longos anos de migração, excesso e sofrimento ao lado da esposa, Zelda.

A atmosfera luminosa de despreocupação e opulência de tantos dos contos de Fitzgerald serve como pano de fundo para histórias de perda: da beleza, do dinheiro, da dignidade e, pior que tudo, da juventude.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O irmão alemão - Chico Buarque

O irmão alemão
Chico Buarque

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R. Espírito Santo, 223 - Praça Seca,
Rio de Janeiro/RJ
21320-090

Lançado em 2014, “O irmão alemão” é o quinto romance de Chico Buarque e representa mais uma incursão bem-sucedida do autor no universo da ficção literária.

O livro se destaca pela sua intrincada tessitura narrativa e pela profundidade dos temas abordados, consolidando Chico Buarque como um dos mais importantes prosadores contemporâneos do Brasil.

A obra convida o leitor a uma reflexão sobre a construção da memória e a influência do passado na formação do presente, utilizando a busca por um irmão desconhecido como fio condutor de uma investigação existencial.

É uma leitura essencial para aqueles interessados em literatura brasileira contemporânea e em narrativas que exploram a complexidade das relações humanas e dos mistérios familiares.

“O irmão alemão” de Chico Buarque é uma envolvente obra literária que mergulha nas profundezas da memória e da busca por identidade.

O enredo acompanha Cicatriz, um jovem pesquisador brasileiro, em sua obstinada investigação sobre a existência de um suposto irmão mais velho, nascido na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e fruto de um relacionamento de seu pai, um intelectual brasileiro exilado.

A narrativa se desenrola como um minucioso trabalho de detetive, onde o protagonista se debruça sobre cartas antigas, fotografias empoeiradas e relatos fragmentados, tentando reconstruir uma história familiar obscura e silenciada.

Os conflitos centrais da trama giram em torno da dificuldade de discernir entre a realidade dos fatos e a ficção criada pela memória e pelo desejo.

Cicatriz se vê imerso em um labirinto de informações incompletas, depoimentos contraditórios e lacunas significativas, o que o força a preencher espaços com suas próprias conjecturas e anseios.

Essa busca não é apenas por um indivíduo, mas por uma peça fundamental para compreender a própria história de sua família, a complexa figura de seu pai e, consequentemente, a sua própria identidade.

As personagens são construídas com uma rica complexidade psicológica. Cicatriz é um protagonista introspectivo, quase obsessivo em sua busca, que se dedica integralmente a desvendar o passado.

Seu pai, uma figura enigmática e culta, aparece em fragmentos de memórias e documentos, com um passado de exílio e envolvimento político, que moldou a ausência e o mistério em torno do irmão alemão.

A mãe de Cicatriz também é uma figura importante, representando, em certa medida, a voz do silêncio e da preservação dos segredos familiares.

A obra explora a maneira como os grandes acontecimentos históricos, como a Segunda Guerra Mundial e os exílios políticos, reverberam nas vidas individuais e nas relações familiares, deixando marcas profundas e duradouras.

“O irmão alemão” é, portanto, uma análise profunda sobre a memória, a verdade e a construção da história pessoal em meio a um contexto maior de eventos globais e segredos guardados.

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